Dislipidemias e Controle do Colesterol

Dislipidemias e Controle do Colesterol

Sabe-se que o colesterol possui atuação importante no organismo, pois é precursor dos hormônios esteroidais, dos ácidos biliares e da vitamina D, além de constituir as membranas celulares, atuar na fluidez destas e participar da ativação de enzimas.

Apesar disso, quando em alta concentração no organismo, pode levar ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, aterosclerose, descontrole metabólico, inflamação crônica e acúmulo de gordura corporal.

As lipoproteínas são proteínas que permitem a solubilização e o transporte dos lipídios e existem quatro classes de lipoproteínas separadas em dois grupos: as ricas em triglicerídeo (representadas pelos quilomícrons e pelas proteínas de densidade muito baixa) e as ricas em colesterol (lipoproteína de alta densidade – LDL-colesterol e HDL-colesterol).

O acúmulo de lipoproteínas ricas em colesterol, como a LDL no compartimento plasmático, resulta em hipercolesterolemia. Esse acúmulo pode se dar por doenças genéticas, mutações, e alto consumo de alimentos ricos em gordura saturada e trans.

Atualmente as dislipidemias podem ser classificadas de acordo com a fração lipídica alterada:

• Hipercolesterolemia isolada: aumento isolado do LDL-colesterol (LDL-colesterol maior ou igual a 160 miligramas por decilitro);

• Hipertrigliceridemia isolada: aumento isolado dos triglicerídeos. Triglicerídeo maior ou igual a 150 miligramas por decilitro ou maior ou igual a 175 miligramas por decilitro, se a amostra for obtida sem jejum;

• Hiperlipidemia mista: aumento do LDL-colesterol (LDL-colesterol maior ou igual a 160 miligramas por decilitro) e dos triglicerídeos (triglicerídeo maior ou igual a 150 miligramas por decilitro ou maior ou igual a 175 miligramas por decilitro, se a amostra for obtida sem jejum);

• HDL-colesterol baixo: redução do HDL-colesterol menor do que 40 miligramas por decilitro em homens e 50 miligramas por decilitro em mulheres, isolado ou em associação ao aumento do LDL-colesterol ou triglicerídeo.

Caso você possua alteração nos níveis de colesterol e triglicerídeos, é importante procurar um médico, nutricionista e educador físico para auxiliar de forma integrada no manejo e tratamento do quadro clínico.

Dicas para controlar o colesterol

O manejo depende de cada paciente. Por isso, todos devem ser avaliados individualmente, com a coleta de dados sobre os hábitos alimentares, avaliação do exame de sangue e composição corporal.

Apesar disso, as diretrizes nutricionais preconizam a dieta isenta de ácidos graxos trans, o consumo de < 10% do valor calórico total de ácidos graxos saturados para indivíduos saudáveis e < 7% do valor calórico total para aqueles que apresentarem risco cardiovascular aumentado.

O consumo elevado de ácidos graxos saturados pode piorar o estado metabólico e cardiovascular por aumentar o colesterol plasmático e inflamação corporal. O ideal é substituir os ácidos graxos saturados por ácidos graxos poli-insaturados e monoinsaturados, pois estes apresentam baixo risco cardiovascular.

Aqui vão algumas dicas para a redução do colesterol:

• Evitar a dieta rica em ácidos graxos saturados (leite integral e seus derivados, refeições prontas, biscoito, carne vermelha, salsicha, linguiça, óleo de palma, óleo de coco, óleo de dendê, etc), pois eleva o colesterol LDL (também conhecido como colesterol ruim);

• Evitar alimentos ricos em gordura trans, pois também aumenta o LDL-colesterol, reduz o HDL-colesterol (colesterol bom). Alguns alimentos ricos em gordura trans são: margarina, biscoito recheado, pão francês, pão de queijo, sorvetes cremosos, tortas, chocolate ao leite, pipoca de microondas, pizza congelada, etc;

• Recomenda-se estimular o consumo de ácido graxo ômega-3, pois é cardioprotetor, reduz triglicerídeos, é anti-inflamatório e aumenta o HDL-colesterol (colesterol bom). Ainda está relacionado ao aumento da produção do óxido nítrico, responsável por promover a dilatação das artérias e fazer o sangue fluir. O ácido graxo ômega-3 pode ser encontrado em peixes oleosos como a sardinha, salmão, arenque, mariscos, óleo de linhaça, nozes;

• Alimentos fonte de proteína de soja em tordo de 15 a 30 gramas ao dia, podem reduzir em até 5% o LDL-colesterol e aumentar em até 3% o HDL-colesterol;

• O azeite de oliva, azeitona, abacate, castanha, nozes e amêndoas, ricos em ômega-9, podem ser uma boa opção de consumo, pois não interferem nos níveis de colesterol total e LDL-colesterol;

• As fibras solúveis como goma-guar, pectina, agar, psyllium, galactomanana ajudam a reduzir o colesterol total e LDL-colesterol, pela redução da absorção e aumento da excreção nas fezes;

• Alguns alimentos também são fonte de fibras solúveis como a aveia, a soja, a lentilha, a mandioca, a beterraba, a ervilha, maçã e frutas cítricas no geral;

• Praticar atividade física melhora a estrutura e função vascular, aumenta os níveis de HDL-colesterol e aumenta o tempo em que o LDL-colesterol fica em sua forma reduzida. O recomendado pelo Arquivo Brasileiro de Cardiologia de 2017 é uma frequência de 3 a 5 sessões de exercício por semana com 5 minutos de aquecimento e alongamento, 30 a 40 minutos de exercício aeróbio, 15 a 20 minutos de exercício de resistência muscular e 5 minutos de alongamento e relaxamento.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Volume 109, número 2, Supl. 1, agosto 2017

Sobre Carolina Garcia Monçôres

Nutricionista clínica, mestre em nutrição humana pela UFRJ, com especialização em fitoterapia aplicada à Nutrição, cursando a pós-graduação em oncologia. Realiza atendimento ambulatorial personalizado no Rio de Janeiro com foco especial para pacientes com obesidade, sobrepeso, diabetes mellitus, câncer e comorbidades.
CRN: 12100886
Email: [email protected]

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