Comportamento alimentar para o início da vida

Comportamento alimentar para o início da vida

Sou completamente apaixonada por esta fase que tem uma influência decisiva sobre como será a saúde do indivíduo ao longo da sua vida. Por sorte, vemos crescer o número de mães interessadas em saber como iniciar o processo da oferta de alimentos da melhor maneira para os seus filhos. É interessante pensar na responsabilidade que nós, mulheres, assumimos quando decidimos trazer uma criança ao mundo.

Da gestação aos primeiros meses de vida

Tudo começa ainda na gestação, quando já podemos influenciar a formação dos genes do bebê através da oferta de nutrientes que estamos oferecendo ao feto. Depois vem o período da amamentação, em que produzimos o único alimento capaz de suprir todas as necessidades nutricionais do bebê até os seis meses de vida. Aí vem a fase da introdução alimentar (que complementa os nutrientes do leite materno até os dois anos da criança), quando a criança começa a estabelecer a sua relação com a comida, a criar os seus hábitos alimentares e a desenvolver o seu comportamento alimentar.

Neste momento, prestar atenção ao funcionamento e às particularidades do organismo do seu filho e estar atento à possíveis reações que ele possa manifestar torna-se fundamental para a construção conjunta de uma relação prazerosa e saudável entre a criança e o alimento. Não à toa chamamos este período de “janela de oportunidade”, em que é possível tanto criar uma relação íntima e prazerosa com a alimentação quanto uma distante e conturbada.

Aos seis meses de vida, alguns detalhes, muitas vezes sutis, se tornam de fundamental importância para quem quer se envolver (e fazer com que o seu filho se envolva) com a nutrição consciente. A nutrição comportamental se debruça sobre esta fase da vida e nos mostra que o início da relação com o alimento é capaz de fazer com que esta criança comece a desenvolver e a conhecer seus sentidos, ao usá-los de maneira intensa através dos sabores, texturas e aromas totalmente novos que se apresentam a ela.

Confiança em experimentar novos alimentos

Quando bem trabalhada, esta criança provavelmente terá mais facilidade em estabelecer um vínculo de prazer com o alimento, o que lhe dará confiança para experimentar alimentos novos, desenvolvendo, assim, a sua capacidade de “confiar”. Crianças inseguras, muitas vezes, manifestam “medo” do novo e, ao se alimentarem, manifestam esta insegurança, que é muito forte para elas apresentando resistência em experimentar alimentos que não conhecem. Pode ser o início do processo da neofobia alimentar, que precisa ter um olhar especial para que estas crianças não se tornem adultos com um comportamento alimentar seletivo, com tendência a restringir sempre os mesmos alimentos na sua rotina alimentar.

Nesta fase, muitas vezes, ainda existe uma imaturidade no organismo da criança, já que este está se formando. Cautela e respeito a este desenvolvimento são fundamentais e representam bem a nutrição consciente. É importante, neste momento, prestar atenção à reação da criança em relação à cada alimento novo apresentado. Muitas vezes, não dá valor e atenção a este comportamento, faz com que ela não se sinta “cuidada”, como se o que ela sente não fosse respeitado ou fosse invalidado.

Ao longo da vida, esta criança pode desenvolver uma grande dificuldade de “estar presente” nas situações, pois tenderá a “fugir”. Esta fuga é um mecanismo de defesa que ela desenvolve, muitas vezes, pela falta de uma “validação” de quem ela é, de um olhar com cuidado para a sua essência. Com isso, a capacidade de sentir, de permanecer no agora, fundamental para o comer com atenção plena, fica prejudicada.

Fim da amamentação, início dos alimentos

Em relação ao desmame, as mamadas devem ir sendo substituídas, aos poucos, pela alimentação sólida (preparações salgadas e de frutas). Para muitas mães, este momento é difícil e delicado por terem a sensação de estarem rompendo um vínculo afetivo criado com seu filho. É preciso entender que este é um período natural de transição e passar por ele sem medo. A insegurança pode ser trabalhada conversando com o seu bebê e dizendo e ele que a relação de vocês continuará forte e única, mas que chegou a hora de incluir novos alimentos na rotina alimentar dele. Passar este entendimento a uma criança também merece um olhar cuidadoso.

A criança pode associar um rompimento brusco com a amamentação com uma sensação de abandono. Quando isso acontece, ela poderá desenvolver um desinteresse pela alimentação, tendo um comportamento caracterizado por uma apatia em relação ao momento de se alimentar. Inconscientemente, ela cria um mecanismo de defesa, distanciando-se dos prazeres desta relação com o alimento porque não quer sentir-se abandonada novamente. Muitas crianças extrapolam a alimentação e desenvolvem uma dificuldade de acreditar que a mãe estará ao seu lado em outros momentos devido ao rompimento traumático com o seio da mãe.

Este é um período muito delicado, envolvido por uma beleza que requer sensibilidade. O contato com o alimento e a posterior relação que você cria com ele dizem muito sobre a forma como você se colocará no mundo.

Sobre Ariane Bomgosto

Sou nutricionista e encontrei na alimentação um caminho para ir em direção ao equilíbrio. Vi minha qualidade de vida se transformar com a nutrição que alimenta o meu corpo, a minha mente e o meu espírito e trabalho para compartilhar esta descoberta porque SINTO como é transformador ter saúde plena.
CRN 16100222 www.arianebomgosto.com.br

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