Tudo sobre Marcela R. G. Molina nutricionista

Sobre Marcela R. G. Molina

Nutricionista formada pela Universidade de São Paulo (USP) com mestrado em andamento em Ciências, no Programa de Nutrição da USP. Atua na área clínica realizando atendimento nutricional personalizado em uma clínica especializada em cirurgia bariátrica e distúrbios gastrointestinais.
CRN3: 46933
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Recomendações nutricionais para doenças inflamatórias intestinais

As doenças inflamatórias intestinais (DII) são crônicas, de origem desconhecida, e acomentem o trato digestório, sendo as duas formas mais comuns:

  • Retrocolite ulcerativa (RCU)
  • Doença de Crohn (DC)

Na Retrocolite ulcerativa (RCU) a inflamação é limitada à mucosa do cólon, ocorrendo de forma contínua, sendo a manifestação mais comum a diarreia com sangue. Já a Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória que pode afetar qualquer parte do trato alimentar, mas é mais comum no íleo e cólon. Suas manifestações mais comuns são diarreia e dor abdominal.

Recomendações nutricionais

As DII possuem fases diferentes: a fase aguda (quando a inflamação está ativa, e o paciente sente dor e diarreia) e a fase de remissão (quando os sintomas melhoram e o paciente volta a se alimentar normalmente). Para isso, as orientações nutricionais na dieta são diferentes em cada fase.

FASE AGUDA: períodos de diarreia e má absorção dos nutrientes:

Isenta de lactose (evitar leites e derivados). A lactase é uma enzima que, em situações como a  diarreia, seus níveis podem estar diminuídos, causando intolerância;

Rica em fibras solúveis (frutas, legumes, aveia e leguminosas) e pobre em fibras insolúveis (verduras em geral, farinha de trigo integral). As fibras solúveis aumentam o volume das fezes e contribuem para o equilíbrio da flora intestinal; já as fibras insolúveis aceleram o trânsito intestinal (situação que deve ser evitada na fase aguda das DII);

Evitar carboidratos simples e aumentar o consumo de proteínas.

FASE DE REMISSÃO: após a fase aguda, quando os sintomas melhoram:

Evoluir progressivamente o consumo de leites/derivados e as fibras insolúveis;

É importante ter uma dieta antifermentativa – evitar alimentos que estimulam a produção de gases – como: brócolis, couve-flor, repolho, cebola crua, pimentão verde, batata-doce, leguminosas (feijões, grãode-bico, lentilha) e frutos do mar (principalmente mariscos e ostras).

Sempre tenha o acompanhamento de um médico e nutricionista!

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Refluxo e Azia: saiba como a nutrição pode ajudar

O refluxo gastroesofágico decorre de uma diminuição na pressão do esfíncter esofágico inferior (EEI), que não se contrai adequadamente após a passagem dos alimentos para o estômago, permitindo o retorno do conteúdo gástrico. Esse refluxo do conteúdo ácido-péptico gástrico causa uma inflamação da mucosa esofágica, conhecida como esofagite. O controle da pressão do EEI é feito pelo sistema nervoso e humoral.

A gastrina (fase gástrica da digestão) aumenta a pressão, enquanto a colecistocinina (CCK) e secretina a diminuem (fase intestinal da digestão). Algumas substâncias podem alterar a pressão do EEI: a cafeína, teobromina e o álcool diminuem a pressão e, por isso, contribuem para o refluxo.

Causas e sintomas

O sintoma mais comum é a azia (queimação dolorosa epigástrica e retroesternal). Outros sintomas presentes são: regurgitação, dificuldade para engolir, sensação de “algo preso na garganta”, náusea, problemas respiratórios (asma, pneumonia), tosse, pigarro, sinusite, rouquidão.

Os sintomas ocorrem principalmente com a ingestão de certos alimentos (condimentados, cítricos, gordurosos, café) fumo e álcool. O hábito de deitar após as refeições ou comer muito de uma vez só também podem desencadear ou piorar os sintomas.

Deve-se ressaltar que a hérnia de hiato, por alterar a anatomia esofagogástrica, apresenta forte associação com o refluxo e esofagite. O aumento da pressão intra-abdominal (como gravidez, obesidade) também pode desencadear o refluxo gastroesofágico. Para casos de obesidade, a
perda de peso contribuirá para a diminuição do refluxo.

Como a nutrição pode ajudar

Recomendações nutricionais:

  • Dieta hipolipídica (<20% das calorias totais). Evitar alimentos e preparações gordurosas (ex: alimentos fritos, milkshakes, molhos com queijos e creme de leite, carnes com gordura aparente, leites e derivados na versão integral);
  • Fracionar a dieta (de 6 a 8 refeições por dia);
  • Evitar ingerir líquidos junto das refeições, para diminuir o volume ingerido (ingerir líquidos nos intervalos);
  • Evitar alimentos que diminuem a pressão do EEI e estimulam a secreção ácida: café, chá mate/preto, chocolate, bebidas alcoólicas;
  • Evitar alimentos que irritam a mucosa inflamada: frutas e legumes muito cítricos – abacaxi, laranja, maracujá, kiwi, tomate (a tolerância destes alimentos varia muito de cada paciente);
  • Não comer antes de dormir (espaço de duas horas);
  • Comer em posição ereta;
  • Não se recostar ou deitar logo após a refeição;
  • Manter horários regulares para evitar o aumento do volume das refeições;
  • Não usar roupas e acessórios apertados;
  • Manter a cabeceira da cama elevada;

Sempre tenha o acompanhamento de um médico e nutricionista!

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