Tudo sobre Ariane Bomgosto nutricionista

Sobre Ariane Bomgosto

Sou nutricionista e encontrei na alimentação um caminho para ir em direção ao equilíbrio. Vi minha qualidade de vida se transformar com a nutrição que alimenta o meu corpo, a minha mente e o meu espírito e trabalho para compartilhar esta descoberta porque SINTO como é transformador ter saúde plena.
CRN 16100222 www.arianebomgosto.com.br

Anorexia Infantil: um dos desafios da alimentação das crianças

Um grande desafio para os pais são as crianças que demonstram pouco ou nenhum apetite na hora das refeições. Com este comportamento, os pais ficam apreensivos e angustiados por acharem que seus filhos irão ter prejuízos no seu processo de crescimento ou no desenvolvimento de seu sistema cognitivo.

Diante desta preocupação, os pais acabam recorrendo a recursos que podem ajudar temporariamente, mas que não contribuem para a construção de uma relação saudável com a alimentação ao longo do tempo. Tais recursos variam entre entreter o filho com joguinhos no celular ou no tablet, tentar forçar o filho a comer ou chantagear e persuadir a criança com recompensas como doces, por exemplo.

Diante do impasse em saber que este não é o melhor caminho para ajudar o seu filho e a preocupação relacionada à inapetência da criança na hora das refeições, os pais, muitas vezes, perguntam-se o que estão fazendo de errado, sentindo-se culpados por esta situação.

Comportamento alimentar na anorexia infantil

É importante falarmos que algumas crianças têm menos apetite do que outras naturalmente. Isso ocorre, geralmente, com crianças que têm maior dificuldade de se acalmarem e relaxarem diante de situações como a hora de comer e a hora de dormir. Ao investigar os batimentos cardíacos e a quantidade de adrenalina liberada por estas crianças, podemos encontrar uma correlação entre crianças que mantêm seus “estados de alerta” ligados por um maior tempo e uma maior falta de apetite ou desinteresse pela hora de comer.

Tais crianças costumam ser mais sensíveis aos estímulos do ambiente e ao que acontece ao redor delas, alterando com maior frequência ao longo do dia os batimentos do seu coração e o metabolismo do seu corpo.

Com esta dificuldade em deixar de responder aos estímulos externos, mesmo nas horas de comer e dormir, tais crianças acabam tendo seu comportamento alimentar comprometido, já que preferem falar à comer na hora das refeições, mantendo sua taxa de adrenalina elevada.

Crianças que apresentam esta resposta do corpo também podem ter sua digestão prejudicada, já que a quantidade adequada de sangue que deveria ir para a digestão geralmente é minimizada por causa da manutenção de um estado corporal agitado neste momento.

E pode começar bem cedo…

Algumas crianças podem manifestar a inapetência ainda no primeiro ano de vida, não se envolvendo tanto com as mamadas ou recusando-se a comer na fase de introdução alimentar. Esta característica está muito ligada ao temperamento da criança, que, nestes casos, costuma ser mais obstinado e intenso.

Muito sensíveis aos que acontece ao seu redor, estas crianças precisam ser estimuladas a prestar atenção ao alimento na hora de comer para que não tenham prejuízos na percepção dos seus sinais internos de fome e saciedade.

Muitas crianças, com anorexia infantil, costumam ser magras pela baixa ingestão de comida, porém, não apresentam um atraso no seu desenvolvimento intelectual, apesar de os pais acharem que seus filhos irão, necessariamente, ter prejuízos em suas funções cognitivas pelo fato de não estarem comendo o suficiente. O que podemos dizer é que a tensão gerada pelo conflito na hora das refeições entre pais e filhos é mais determinante para o prejuízo no desenvolvimento das atividades de produção intelectual das crianças do que a interferência da falta de apetite em tais funções cerebrais.

Por isso, recomendamos que os pais invistam na criação de um ambiente em que tais conflitos sejam minimizados. Naturalmente, estas crianças tendem a ser mais desafiadoras, menos capazes de lidar com o “não” e mais propensas a terem dificuldade de retomar o controle de suas emoções quando sentem que são contrariadas.

O comportamento alimentar de crianças com inapetência é intimamente influenciado pelo local em que comem ou por seu estado de saúde. Assim, viagens e restaurantes podem fazer com que estas crianças comam ainda menos, bem como quando ficam doentes.

Portanto, crianças que apresentam o quadro de anorexia infantil, geralmente, ficam abaixo do peso adequado à idade e apresentam baixa estatura. Por terem dificuldade de se acalmar e manterem seus “estados de alerta ligados” com maior frequência, precisam serem estimuladas e treinadas a prestarem atenção à comida para reconhecerem seus sinais internos de fome e saciedade com mais facilidade.

O tratamento começa dentro de casa

Também é importante que os pais identifiquem estas características no seu filho e providenciem medidas que o ajude a melhorar a sua relação com a comida dentro de casa, como a criação de horários regulares para as refeições que o ajudarão a identificar melhor os momentos em que estiver com fome através da percepção da fisiologia da fome do seu corpo, como o “ronco na barriga”.

Para que isso aconteça, a criança deve entender que não poderá comer em qualquer horário, o que deve ser explicado pelos pais. Para crianças inapetentes, aconselho que os pais reúnam diretrizes alimentares e criem um treinamento dentro de casa, já que, em ambientes externos, elas podem ter mais dificuldade de concentração na comida por causa dos estímulos que fazem com que seja mais difícil cumprir os procedimentos acordados.

Com isso, crianças inapetentes podem melhorar o seu comportamento alimentar, desenvolvendo mais prazer em comer e sentar-se à mesa para as refeições. Além disso, tendem a melhorarem seus estados nutricionais e a voltarem a crescerem de forma adequada à idade. Também têm as chances de evitarem o desenvolvimento de futuros transtornos alimentares, como anorexia ou bulimia nervosas.

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Comportamento alimentar para o início da vida

Sou completamente apaixonada por esta fase que tem uma influência decisiva sobre como será a saúde do indivíduo ao longo da sua vida. Por sorte, vemos crescer o número de mães interessadas em saber como iniciar o processo da oferta de alimentos da melhor maneira para os seus filhos. É interessante pensar na responsabilidade que nós, mulheres, assumimos quando decidimos trazer uma criança ao mundo.

Da gestação aos primeiros meses de vida

Tudo começa ainda na gestação, quando já podemos influenciar a formação dos genes do bebê através da oferta de nutrientes que estamos oferecendo ao feto. Depois vem o período da amamentação, em que produzimos o único alimento capaz de suprir todas as necessidades nutricionais do bebê até os seis meses de vida. Aí vem a fase da introdução alimentar (que complementa os nutrientes do leite materno até os dois anos da criança), quando a criança começa a estabelecer a sua relação com a comida, a criar os seus hábitos alimentares e a desenvolver o seu comportamento alimentar.

Neste momento, prestar atenção ao funcionamento e às particularidades do organismo do seu filho e estar atento à possíveis reações que ele possa manifestar torna-se fundamental para a construção conjunta de uma relação prazerosa e saudável entre a criança e o alimento. Não à toa chamamos este período de “janela de oportunidade”, em que é possível tanto criar uma relação íntima e prazerosa com a alimentação quanto uma distante e conturbada.

Aos seis meses de vida, alguns detalhes, muitas vezes sutis, se tornam de fundamental importância para quem quer se envolver (e fazer com que o seu filho se envolva) com a nutrição consciente. A nutrição comportamental se debruça sobre esta fase da vida e nos mostra que o início da relação com o alimento é capaz de fazer com que esta criança comece a desenvolver e a conhecer seus sentidos, ao usá-los de maneira intensa através dos sabores, texturas e aromas totalmente novos que se apresentam a ela.

Confiança em experimentar novos alimentos

Quando bem trabalhada, esta criança provavelmente terá mais facilidade em estabelecer um vínculo de prazer com o alimento, o que lhe dará confiança para experimentar alimentos novos, desenvolvendo, assim, a sua capacidade de “confiar”. Crianças inseguras, muitas vezes, manifestam “medo” do novo e, ao se alimentarem, manifestam esta insegurança, que é muito forte para elas apresentando resistência em experimentar alimentos que não conhecem. Pode ser o início do processo da neofobia alimentar, que precisa ter um olhar especial para que estas crianças não se tornem adultos com um comportamento alimentar seletivo, com tendência a restringir sempre os mesmos alimentos na sua rotina alimentar.

Nesta fase, muitas vezes, ainda existe uma imaturidade no organismo da criança, já que este está se formando. Cautela e respeito a este desenvolvimento são fundamentais e representam bem a nutrição consciente. É importante, neste momento, prestar atenção à reação da criança em relação à cada alimento novo apresentado. Muitas vezes, não dá valor e atenção a este comportamento, faz com que ela não se sinta “cuidada”, como se o que ela sente não fosse respeitado ou fosse invalidado.

Ao longo da vida, esta criança pode desenvolver uma grande dificuldade de “estar presente” nas situações, pois tenderá a “fugir”. Esta fuga é um mecanismo de defesa que ela desenvolve, muitas vezes, pela falta de uma “validação” de quem ela é, de um olhar com cuidado para a sua essência. Com isso, a capacidade de sentir, de permanecer no agora, fundamental para o comer com atenção plena, fica prejudicada.

Fim da amamentação, início dos alimentos

Em relação ao desmame, as mamadas devem ir sendo substituídas, aos poucos, pela alimentação sólida (preparações salgadas e de frutas). Para muitas mães, este momento é difícil e delicado por terem a sensação de estarem rompendo um vínculo afetivo criado com seu filho. É preciso entender que este é um período natural de transição e passar por ele sem medo. A insegurança pode ser trabalhada conversando com o seu bebê e dizendo e ele que a relação de vocês continuará forte e única, mas que chegou a hora de incluir novos alimentos na rotina alimentar dele. Passar este entendimento a uma criança também merece um olhar cuidadoso.

A criança pode associar um rompimento brusco com a amamentação com uma sensação de abandono. Quando isso acontece, ela poderá desenvolver um desinteresse pela alimentação, tendo um comportamento caracterizado por uma apatia em relação ao momento de se alimentar. Inconscientemente, ela cria um mecanismo de defesa, distanciando-se dos prazeres desta relação com o alimento porque não quer sentir-se abandonada novamente. Muitas crianças extrapolam a alimentação e desenvolvem uma dificuldade de acreditar que a mãe estará ao seu lado em outros momentos devido ao rompimento traumático com o seio da mãe.

Este é um período muito delicado, envolvido por uma beleza que requer sensibilidade. O contato com o alimento e a posterior relação que você cria com ele dizem muito sobre a forma como você se colocará no mundo.

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Seletividade alimentar entre as crianças com hipersensibilidade sensorial

Muitas crianças, hoje, rejeitam os alimentos por sua cor, cheiro ou textura. Com isso, desenvolvem uma relação pouco saudável com a comida, o que deixa os pais angustiados e desmotivados, diante de inúmeras tentativas fracassadas para reverter este quadro. Uma das consequências deste quadro é a seletividade alimentar, quando a criança elege certos alimentos para compor o seu cardápio, o que pode levar à déficits nutricionais prejudiciais a esta fase da vida.

Consequências da seletividade alimentar

Além disso, estas crianças também podem sofrer com dificuldades de socialização, já que têm medo de irem a lugares que não ofereçam as opções de alimentos aceitas. A seletividade alimentar em relação à consistência, aspecto ou aroma é frequente em crianças com uma maior sensibilidade sensorial nos sentidos que a criança usa para se alimentar, como paladar e olfato. Crianças hipersensíveis, quando expostas a situações como um ambiente estressante na hora de comer, tendem a prestar menos atenção à comida, o que pode levar a um prejuízo no desenvolvimento das percepções de gosto e cheiro dos alimentos.

Isso acontece porque nosso paladar precisa ser trabalhado para ter as percepções de doce, salgado, azedo e amargo bem aguçadas nas chamadas papilas gustativas da língua. E, para isso, a atenção ao alimento na hora de comer é fundamental. Como estas crianças se “desligam” deste ato, acabam por ter este processo prejudicado, o que faz com que elas não associem prazer à hora de comer, se tornem inapetentes e tenham um comportamento alimentar cada vez mais seletivo.

Como tratar a seletividade alimentar

Para melhorar este quadro, é preciso fazer com que estas crianças resgatem o envolvimento com a sua alimentação. Isso é possível porque a hipersensibilidade sensorial, quando diagnosticada e trabalhada, pode levar ao desenvolvimento de uma relação prazerosa com o alimento, na medida em que os sentidos aumentados se tornam aliados da criança. Para que isso aconteça, é preciso conscientizar a criança da sua hipersensibilidade e, a partir daí, trabalhar a atenção plena na hora de cada refeição oferecida. Criar um ambiente agradável e confiante para lhe dar segurança e conforto, estimular o ato de cheirar, apreciar e mastigar o alimento várias vezes, não distrai-la com outras atividades neste momento são algumas medidas que ajudam a melhorar o quadro.

Portanto, a seletividade alimentar relacionada à cor, cheiro e textura entre as crianças pode ser resultado da hipersensibilidade sensorial que algumas crianças apresentam. Porém, é possível fazer com que o cardápio se torne mais variado através do estímulo ao desenvolvimento da atenção plena na hora de comer. Com isso, a criança pode tornar a sua relação com a comida mais saudável, melhorando a qualidade nutricional da sua alimentação e o convívio social envolvendo os alimentos nesta fase da vida.

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Neofobia alimentar: uma das dificuldades da alimentação infantil

Muitas crianças, hoje, têm uma alimentação pouco diversificada, o que traz prejuízo às suas necessidades nutricionais. Diante deste quadro, os pais investem em maneiras de tentar fazer com que os filhos tenham um cardápio mais variado e nutritivo. Porém, é grande a dificuldade que os pais encontram em quebrar a resistência das crianças em experimentar novos alimentos. Muitos fatores podem estar por trás desta resistência. Um destes é a neofobia alimentar, ou seja, o medo de experimentar alimentos novos.

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