Alimentos funcionais e qualidade de vida

Alimentos funcionais e qualidade de vida

São cada vez mais numerosas as provas científicas que apoiam a tese de que muito alimentos contém componentes com efeitos benéficos para a saúde que vão além de nutrientes básicos. Esses alimentos são definidos hoje como alimentos funcionais.

Segundo Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) alimentos funcionais estão relacionados ao papel metabólico ou fisiológico que um nutriente (ex. fibras) ou não nutriente (ex. licopeno) tem no crescimento, desenvolvimento, manutenção e outras funções do organismo.

Sendo assim, estes alimentos contêm ingredientes que podem auxiliar, por exemplo, na manutenção de níveis saudáveis de triglicerídeos, na proteção das células contra os radicais livres, no funcionamento do intestino, na redução da absorção do colesterol, no equilíbrio da flora intestinal, entre outros, desde que seu consumo esteja associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis.

Além de estudar os alimentos que podem prejudicar a saúde humana, a nutrição também buscou identificar componentes alimentares contidos em muitos produtos tradicionais, como frutas, verduras e legumes, raízes, ervas e cereais integrais, etc., que podem contribuir para melhorar a nossa saúde.

O conceito functional food nasceu nos anos 80, quando se observou no Japão, uma necessidade de melhorar a qualidade de vida devido ao aumento das expectativas de vida de um número cada vez maior de idosos e, portanto, à exigência de controlar e reduzir os custos com a saúde. Porém, a ideia de que os alimentos poderiam possuir propriedades terapêuticas não é recente, há milhares de anos, as antigas culturas chinesa, indiana, egípcia e grega trabalhavam muito com o conceito de comida-remédio, atribuindo propriedades preventivas e/ou curativas aos alimentos.

Desta forma, ingredientes funcionais são aqueles que possuem fontes de fibras (inulina, frutooligossacarídeos, polidextrose, beta glucana, dextrina resistente, betaglucana, lactulose, entre outros), fitoesteróis, probióticos (microrganismos que contribuem para o equilíbrio da flora intestinal), ácidos graxos ômega 3, além disso, a quitosana, o psillium, produtos com proteína de soja. Esses podem está presente naturalmente nos alimentos, como por exemplo aveia que contém fibras com alegação comprovada de que auxiliam na redução da absorção de colesterol, ou podem ser adicionados a alimentos para passarem a possuir propriedades funcionais.

Quais são os alimentos funcionais?

Os tomates e produtos derivados (molho de tomate caseiro), bem como o melão e o mamão papaia contribuem para manter saúde da próstata. As verduras e frutas amarelas ou alaranjadas (cenouras, frutas cítricas ou damasco) combatem a ação dos radicais livres e ajudam a reforçar defesas antioxidantes das células; alface, as ervilhas, a abobrinha, a couve e o espinafre contribuem para manter uma visão eficiente.

Farelo de trigo, a aveia, o centeio, bem como os cereais integrais de maneira em geral e as hortaliças favorecem o correto funcionamento do aparelho digestivo, mantendo a saúde intestinal, prevenindo surgimento de doenças intestinais.

Observamos que os peixes, linhaça e chia possuem ômega 3 que e além de reduzir o risco dos problemas cardiovasculares ajudam também a funcionalidade cerebral e visual das pessoas.

Já as frutas vermelhas, a cereja, ou até mesmo a uva preta, potencializam a defesa das células enquanto a cebola, a maçã, o chá e o brócolis potencializam as defesas antioxidantes.

A cebola e o alho exercem diversas funções para o organismo, ela contribui para reforçar a flora bacteriana intestinal funcionando com prebióticos (estímulo crescimento de bactérias benéficas intestinais), bem como atuam na redução do colesterol e da pressão.

A soja apesar da grande discussão sobre sua trasngenicidade, ela possui propriedades importantes para controle dos sintomas da menopausa, como melhora das ondas de calor e mudanças de humor.

Entretanto, quando analisamos o comércio, notamos que os produtos mais vendidos nas prateleiras dos supermercados que melhoram a funcionalidade do intestino são o iogurte e outros laticínios com muitos aditivos químicos ao invés de alimentos in natura.

Sendo assim, tenha atenção ao ler os rótulos pois um alimento pode ser funcional por ter propriedades benéficas para saúde mas pode esta carregado de química para conservar ou realçar o sabor que muito maléficos para saúde.

Vale lembrar que os alimentos funcionais não curam doenças e por isso tratamento adequado deve ser procurado. A prevenção é a principal forma de evitar doenças e o consumo de alimentos funcionais associado com a prática de atividade física, o lazer, o consumo adequado de água e de alimentos in natura são a chave para se ter mais qualidade de vida.

Sobre Fernanda Mululo

Nutricionista clínica pós-graduada em nutrição funcional e fitoterapia. Atua no atendimento exclusivo e individualizado a pacientes com diversas necessidades e objetivos. Desde de sua formação trabalha com mulheres portadoras de endometriose e em pré e pós operatório de cirurgias diversas. Nutricionista Staff do Hospital Universitário Pedro (HUPE/UERJ) na área materno infantil, trabalha também em parceria com clínica de estética e com equipe de gastroenterologista no tratamento de pacientes com Doença Inflamatória Intestinal. Dedica total atenção aos pacientes, permitindo a troca de experiências para o avanço no tratamento ou na mudança do estilo de vida.
CRN 11100927 www.fernandamululo.com.br

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